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Identificação de proteínas únicas preditivas de mortalidade e mecanismos no VIH

Identificação de proteínas únicas preditivas de mortalidade e mecanismos no VIH

A Dr.ª Priscilla Hsue (University of California San Francisco) apresentou o seu trabalho sobre identificação de proteínas preditivas de mortalidade no VIH, na CROI 2021, durante uma sessão de oral abstract relativa a complicações no VIH.

“Pessoas infetadas com VIH têm excesso de mortalidade por comorbilidades não relacionadas com VIH”, começou por afirmar a palestrante, explicando de seguida que os mecanismos inerentes a esta mortalidade permanecem por esclarecer. Marcadores de inflamação e coagulação associam-se fortemente com mortalidade, incluindo comorbilidades. No entanto, os calculadores de risco usados na população em geral não desempenham corretamente em pessoas com VIH. A oradora questionou então se outros mecanismos estão inerentes a este risco em excesso de morbilidade e mortalidade.

A Dr.ª Priscilla Hsue falou de seguida sobre as vantagens do uso de proteínas, destacando que estas se alteram, ao contrário de DNA e RNA, e podem refletir mudanças ambientais. Estas são ainda refletivas dos processos biológicos e patológicos da doença. Na população em geral, resultados baseados em proteínas podem ser usados para melhorar a previsão de risco. No entanto, análises proteomicas de larga escala em VIH são ainda raras.

O estudo apresentado visa usar análise proteomica de larga escala para:

  • Identificar novos biomarcadores proteicos que estejam associados com mortalidade total em VIH;
  • Comparar a associação de novas proteínas e fatores relacionados com VIH (como números de CD4 e carga viral) com a mortalidade total;
  • Comparar a associação de novas proteínas e marcadores de inflamação e coagulação com a mortalidade total;
  • Comparar a associação de proteínas com componentes do índice VACS.

Foi utilizada a coorte VACS (Veteran Aging Cohort Study), num estudo observacional longitudinal prospetivo que incluiu 1525 veteranos infetados com VIH e 853 não-infetados, embora os dados apresentados nesta palestra tenham sido apenas aqueles dos participantes infetados com HIV. O estudo proteomico foi feito em colaboração com SomaLogic, usando uma plataforma baseada em aptamers.

O tempo de análise desta coorte foi de 2005 a 2019, durante o qual houve 431 mortes na população VIH-positiva, tendo o tempo mediano de seguimento sido de 8,5 anos.

Várias novas proteínas associadas com mortalidade em VIH foram identificadas, algumas com valor preditivo positivo e outras com valor preditivo negativo. As funções celulares destas proteínas incluem adesão celular, imunidade e coagulação.

Os investigadores fizeram depois modelação da mortalidade em infeção com VIH com proteínas apenas e com estas em competição com idade, números de CD4, nadir de CD4 e VIH RNA. Olharam também para o valor preditivo destas proteínas vs. tradicionalmente medidos IL-6, dímero-D e CD14 solúvel, e para os componentes do índice VACS 2.0.

Em conclusão, este estudo demonstrou que:

  • Usando análise proteomica de larga escala, foram identificadas proteínas únicas preditivas de mortalidade em VIH;
  • Um resultado de risco baseado em 10 proteínas alcançou moderadamente boa sensibilidade discriminatória, apesar das causas heterogéneas de morte nesta população;
  • As proteínas continuaram associadas com mortalidade mesmo com a adição de idade, números de CD4, nadir de CD4 e carga viral de VIH;
  • As proteínas permaneceram preditivas apesar da adição de marcadores de inflamação e coagulação;
  • As proteínas continuaram associadas com mortalidade mesmo com a adição de componentes do índice VASC.

A palestrante falou por fim das limitações deste estudo, que incluem a falta de uma coorte externa para validação, ter um único ponto temporal de medição das proteínas, causas de morte não-específicas, e baixo número de mulheres.

 

terça-feira, 09 março 2021 16:52
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